Rotina
Maria lavava todos os dias a roupa
Duas trouxas grandes
O caminho até o rio era cheio de pedras irregulares
Maria se benzia e agradecia ter as mãos que traziam o sustento da família
Tinha filho, tinha neto
Tinha roça de milho
O sol trazia rugas e trazia lomba
Maria lavava a roupa
Enxaguava ensaboava enxaguava ensaboava
Esfregava enxaguava ensaboava
Punha pra quarar
A roupa saía limpinha limpinha
Brilhava reluzia
Eu acho que no fundo ela lava a vida
Enxaguava os pecados
Ensaboava os medos
Esfregava a rotina
Punha a esperança para quarar
E a esperança saía verdinha verdinha
A lavadeira canta para seduzir a vida.
7 comentários:
sei quem é essa maria, infelizmente não conheci, mas minha mãe fala da mãe dela com todo esse carinho.
=)
lindo, ju.
Fer, essa é uma Maria que eu, sua mãe, o Joaquim e tantos outros conhecemos. Uma Maria que encara a vida de frente e não tem medo do batente. Mestre Maria!
E quem venham outras tantas publicações.
Parabéns prima.. você é sim uma maria nas palavras tão sábias e de muito valor. você merece mais essa publicação com certeza.
lindo texto.
Ei Fred, espero mesmo outras publicações, inclusive uma só minha! Acho que já está na hora.
Sassá,o elogio vindo de alguém tão criativo e sensível como você, me alegra demais. :)
Esse poema é de arrepiar. E ele vai crescendo ...
zuzu !!! nossa, tanta cois linda aqui! e eu perdendo isso tudo!
Essa entao...to encantando, seduzido.
bj bj bj !!
Tomzin...
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