Lá no São João
No meio do bate coxa, umbigo com umbigo, mijador com mijador
Vi Belarmina de rouge, salto alto, toda fina
Puxar prosa com Adamastor
Ele pitando cigarro de palha,
Sorriu sem dente, boca ventilada
E nasceu conversa cheia de querências
Belarmina virou uma pinga
Arrastou o homem pro salão e rodou igual pião
Adamastor entendeu o recado e não se fez de rogado
E foi a noite toda de xaxado e baião
Chegou Crispim de Donana e o rastapé parou
Jurema subiu a saia e de Jorge largou
Dionísia abriu o decote e batom passou
Belarmina sentiu o coração sambando no peito
E em Adamastor se agarrou
Crispim ordenou um bolero e sem lero-lero
Tirou Belarmina pra dançar
Adamastor não gostou da brincadeira
E sem demora tirou a peixeira
Moço, se eu te contar o que aconteceu depois cê vai acreditar?
Voou cadeira e garrafa, sopapo e rabo de arraia
Os dois embolados no chão e o bolero ecoando no sertão
Aí chegou Belarmina e sentou a paulada
O homem caiu desacordado e do salão foi retirado
Belarmina levantou Adamastor e estufou o peito pra dizer:
_É bom que todo mundo saiba que em homem meu só eu posso bater!
ps.: São João é um povoado pertinho de Itaobim no norte de Minas.
Lugar mais que especial que guardo ótimas imagens.