Numa gaveta qualquer, achei nossa fotografia
Na foto debruçada na janela do porta retrato, nós éramos felizes
Sim, estávamos tão felizes que nem sei se aqueles éramos nós
Eu era uma intrusa vendo minha própria imagem
...
Foram muitas palavras sem som na despedida
Não houve palavra suficiente pra te convencer
Você se desprendeu como um hiato
dizendo que só assim poderíamos ser um ditongo
...
No peito uma placa de contra-mãoEu caminhava sem mim
Mas caminhava com você
Troquei meu presente por uma fatia do passado
...
A vida voltou para a cirandaE num descuido,
sua presença virou lembrança
debruçada na fotografia

5 comentários:
ººº
Eu tenho na minha coleção uma Polaroid, mas avariada :(
tbm me descuidei...
rsrs
lindo. sempre lindo.
vc é fantástica, ju!
Acho que esse poema é uma fotografia que todos um dia já tiraram. Às vezes a guardamos na gaveta, outras colocamos na cabeceira da cama. Uns a rasgam e queimam, outros andam com ela na carteira. Não dá pra escapar da foto em questão; um dia você estará debruçada nela.
Eu já tirei essa foto, do jeitinho que está ali escrito, verso por verso. E acho que o melhor desfecho é esse que escreveu. :)
Fotos cotidianas e que sempre acabam enfeitando as gavetas e a memória...
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