sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Fotos

Um amor de Polaroid

Numa gaveta qualquer, achei nossa fotografia
Na foto debruçada na janela do porta retrato, nós éramos felizes
Sim, estávamos tão felizes que nem sei se aqueles éramos nós
Eu era uma intrusa vendo minha própria imagem
                                     ...

Foram muitas palavras sem som na despedida
Não houve palavra suficiente pra te convencer
Você se desprendeu como um hiato
dizendo que só assim poderíamos ser um ditongo
                                     ...

No peito uma placa de contra-mão
Eu caminhava sem mim
Mas caminhava com você
Troquei meu presente por uma fatia do passado
                                    ...

A vida voltou para a ciranda
E num descuido,
sua presença virou lembrança
debruçada na fotografia

5 comentários:

█► JOTA ENE ◄█ disse...

ººº
Eu tenho na minha coleção uma Polaroid, mas avariada :(

Fernand's disse...

tbm me descuidei...



rsrs
lindo. sempre lindo.
vc é fantástica, ju!

Júlia Zuza disse...

Acho que esse poema é uma fotografia que todos um dia já tiraram. Às vezes a guardamos na gaveta, outras colocamos na cabeceira da cama. Uns a rasgam e queimam, outros andam com ela na carteira. Não dá pra escapar da foto em questão; um dia você estará debruçada nela.

Pedro Paulo disse...

Eu já tirei essa foto, do jeitinho que está ali escrito, verso por verso. E acho que o melhor desfecho é esse que escreveu. :)

Júlia Zuza disse...

Fotos cotidianas e que sempre acabam enfeitando as gavetas e a memória...