quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Mudanças

Menino dormia embalado pelo balanço do mar
Acordou com um soluço e abriu os olhos
Não entendeu
O que era mar virou deserto
Secou
Areiou
Morreu
O barco que navegava nas águas encalhou
Menino saiu
Pisou na areia quente
Pra onde tinha ido o mar?
Nunca houve mar
Nem peixe onda barco cais
Menino levou solavanco da vida
E teve que enxergar
Coração do menino virou âncora
Afundou chorando baixinho no fundo de peito

5 comentários:

Fernand's disse...

tadinho do menino!

Júlia Zuza disse...

É, até eu fiquei com dó de como a vida foi apresentada a ele. Sair do mar e cair direto num deserto é realmente complicado
Mas acho que a história desse menino irá apenas começar. Aguarde mais textos sobre ele...

jefhcardoso disse...

Júlia, pude ir visualizando tudo conforme você discorria, ao final tive o grato encontro com o coração que virou âncora, que afundara chorando baixinho... no fundo do peito. Aí de nós, menina Zuza!

“Para o legítimo sonhador não há sonho frustrado, mas sim sonho em curso” (Jefhcardoso)

Jefhcardoso do http://jefhcardoso.blogspot.com

Zuza Zapata disse...

tempinho que não passava por aqui. Sempre com lindas poesias.

Fala pro menino que há encantamento no deserto também. Belezas diferentes, mais sutil.

Beijos xará! :)

Júlia Zuza disse...

Jefh, sonho em curso é tão lindo... Vou falar isso pro menino se alegrar.

Xará, até eu havia me esquecido das belezas do deserto, de todo seu silêncio e reflexão. Até me lembrei de um poema mais antigo sobre o deserto. Vou postá-lo em sua homenagem.