Escrever é um eterno ir e vir. É remexer mil vezes num balaio já mexido, revirado e esmiuçado. É colocar letras de ponta a cabeça, pensar e repensar nas possibilidades e sempre achar que há outra alternativa. Ninguém escreve com total certeza; ao se ler um texto escrito há dois dias atrás, se vê tantas coisinhas minúsculas para mudar... Passeando pelas linhas aparecem nuances cheias de opções. É subjetivo, indireto, pessoal e múltiplo. Algumas palavras se destacam e anunciam que querem ser trocadas. Outras se escondem atrás de períodos e quase passam batidas. Quase. Quem escreve sabe que entre um papel em branco e uma caneta o mundo gira umas 7 vezes. É como pegar uma lupa e procurar pistas, indícios, suspeitos. É um ato de espionagem talvez: bem minucioso. Escrever é reescrever. Escrever é reinventar. Escrever é refazer. Esrever é sofrer. Mas sofrimento bom que faz a gente ir e vir, ir e voltar, passear e correr por aí nesse mundão vasto das letras de Deus. É coisa pra gente doida mesmo. Amém.
2 comentários:
Que lindo; que intimidade.
Escrever é ou não é algo no mínimo parecido com isso? Coisa pra gente doida msm, viu!
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