É tão bom visitar novamente um lugar que um dia fomos e adoramos. Além de rever aquilo que te emocionou, você consegue descobrir coisas novas que não tinha percebido. Detalhes, nuances. Muitas das vezes isso se dá porque retornamos diferentes, com experiências novas na bagagem, com o olhar amadurecido. O mesmo acontece quando encontramos alguém muito querido que não víamos há anos. Mesmo os dois tendo passado por situações distintas, o tempo conserva aquele sentimento de amizade e admiração.
É essa a sensação ao se reler um livro muito querido após quase 10 anos. Me deparei com 'Vidas secas' do Graciliano Ramos na estante e fui me encontrar de novo com Fabiano, sinhá Vitória, os meninos e a cachorra Baleia, personagem marcante da trama. Como é bom ler o mesmo texto com outros olhos e perceber trechos que antes passaram batidos, entrar no labirinto da escrita e chegar a novos locais. Coisas que só uma grande obra oferece.
Vou reproduzir um trecho que Graciliano escreveu na contra capa do livro e resume a sua escrita. Ele começa dizendo que escrever deve ser feito da mesma forma que as lavadeiras de Alagoas lavam a roupa, numa descrição bem bonita, e termina com esta frase:
'A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.'
Como é bom revisitar um autor desse porte. Vida longa à 'Vidas secas'.
2 comentários:
manda um ossinho pra Baleia! gosto tanto dela!
Acho que a danadinha ia preferir um preá bem gorducho... Sonhos de Baleia!
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