Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

16:47

Azul flanar

A tarde se decompõe em vários tons de azul
Uma lembrança já um pouco apagada
Certa nostalgia, talvez
Os dedos acariciam os fios brancos, resultado
de dias atrás de relatórios
Há vozes de crianças ao fundo
E uma música interna tocando lá, lá dentro
Sem muita saudade, sem muita esperança
Aqueles olhos...
Hora de colocar o casaco e se refugiar do frio
Contas a pagar, telefonemas a dar
Deliciosos prosaísmos
Buzina de carro
A taça de um cabernet
A cidade é bela ao entardecer
O vento brinca com as folhas do livro
Tudo é distante de certa forma
Um fiapo de lua no céu
Lua no céu
Céu
Bye

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Um verdadeiro gol de placa

Tem gente que foge do desafio
Outros só ficam na torcida
Uns vestem a camisa
Certas pessoas xingam o juíz
Muitos são perna de pau
Poucos são artilheiros
Alguns fazem marcação cerrada
Há aquele que é o rei da bola
Tem jogador que marca gol
E eu só bato na trave.
Ate quando, só Deus sabe!

Domingo, 7 de Junho de 2009

Eu não estava lá mas eu vi

Esquinas

Caminho pela esquerda
Para trombar com você na sua direita
Você muda de passeio
Se esconde atrás do poste
Ri de mim
Eu desvio e procuro
Você descobre e não corre
Ameaça que atravessa
Volta e caminha para trás
Eu entendo e sorrio
Você me olha de longe
Eu não disfarço mais
O sinal irá abrir
E eu preciso atravessar
Agora sim você me alcança
A rua não quer mais esperar

Um passo, um caminho, uma direção
O medo do mundo se encolhe na palma da sua mão

Sábado, 16 de Maio de 2009

A primeira vez a gente nunca esquece

Pois é, me apresentei no Terças Poéticas e a noite superou qualquer expectativa que eu tinha. Foram pessoas queridas, ganhei uma rosa, o evento estava cheio, não fiquei nervosa, conheci poetas maravilhosas e tive meu primeiro contato ao vivo e a cores com os amantes da dona poesia. Comecei com um baita pé direito!

Fui a terceira a me apresentar e li três poemas meus e um da portuguesa Ana Hatherly, como eu havia comentado no post anterior. Comecei lendo o poema que já está no meu blog, o 'Verso ao avesso', depois fui para o 'Manual do politicamente correto', li o 'Amores mudos' e terminei minha leitura com o lindo 'As palavras aproximam' da Hatherly.

Fiz a plateia dar risadas com o Manual e ficar reflexiva com o Amores mudos. Ganhei um livro delicado da grande poeta Elizabeth Gontijo, elogios de quase me arrancar lágrimas, mensagens e ligações carinhosas de quem queria estar lá mas não pode e uma gostosa sensação de estar no caminho certo.

E pra você que queria ter me visto no palco, mas não conseguiu, vou postar duas fotos e um vídeo gravado pelo Sebastian, o argentino que participa do projeto juntamente com o Wilmar.




Agora o vídeo do 'Manual do politicamente correto'. Fui informada que estava no Youtube pelo Wilmar Silva e foi uma sensação nova me ver lá.

Uma primeira vez deliciosamente inesquecível. Obrigada. Me aguardem!

Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

O dia em que minha poesia ganhará voz


Já está confirmadíssimo: irei participar do Terças Poéticas do Palácio das Artes na próxima terça, dia 12/05. O evento começa às 18:30 e acontece nos jardins internos com entrada franca.

É uma iniciativa super bacana do Wilmar Silva, idealizador do projeto. Acontece todas as terças e é sempre bem interessante, com performances e muito texto bom. E por coincidências da vida, vou fazer uma participação.

Será a primeira vez que minha poesia ganhará voz e um frio na barriga começou a se instalar. Eu não sou lá das mais tímidas, mas confesso que estou ansiosa pois vou ler poesias minhas além de ler uma da poeta Ana Hatherly.

Espero você lá!

http://www.fcs.mg.gov.br/agenda/detalhes.aspx?IdAgenda=970

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Mi casa, su casa


Se essa rua fosse minha


Havia uma casa nessa rua
Casa antiga, com suas janelas abertas
Repousava mansamente uma cadeira de balanço
e um gato de porcelana na varanda
Ela não incomodava ninguém. Era uma casa boa, de família.
Mas foi derrubada e extinta da paisagem
A cidade não consegue conviver com suas memórias, suas lembranças
Sempre se constrói e se destrói
São máquinas, homens, cimento, brita
Determinados a não nos deixar lembrar da imagem da nossa cidade
Ali não é mais o nosso lugar
Aqui não moro mais.
Minha cidade não quer envelhecer, tem medo
Já basta tantos pedintes, buzinas e fumaças
Minha cidade quer se manter jovem
Com construções espelhadas, arrojadas
Pós-modernas
Aquela casa antiga virou entulho
E deu lugar para o progresso passar
A verticalização da vida
Prédios tão bonitos, mas tão sem alma...
As ruas não contam mais histórias
As ruas agora são lugares de passagem

Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Silêncios santos

Elogio ao feriado

Adoro a calma dos feriados
Em plena quinta-feira, a cidade é invadida por um silêncio gostoso, acolhedor
Menos carros, menos pessoas, menos barulho
Uma calma diferente dos domingos, dias que carregam o peso de anteceder as segundas-feiras
O feriado durante a semana é como se a cidade tirasse um cochilo após o almoço
Como um espreguiçar após o acordar
Um suspiro longo e relaxante
Desperta na gente uma vontade de continuar, de seguir
E aguentar tudo de novo, tudo de novo, tudo de novo...
Benditos sejam os feriados em que se possa aproveitar o silêncio gratuitamente oferecido!